A Lei como Sombra

Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, (Hebreus 10:1a)

Eu, particularmente, não consigo compreender como que pessoas boas e bem intencionadas conseguem formular doutrinas para a Igreja amparada no Velho Testamento. Uns levantam o estandarte do sábado, outros do sangue, outros das festas e assim vão; meu Deus! Isto porque não discernem que o grande mistério de Deus oculto no Velho Testamento, mas revelado aos Seus escolhidos, é Cristo. Toda parte cerimonial e moral da Lei apontava para Cristo. Por este motivo que o Velho Testamento foi sombra dos bens vindouros e não a imagem exata das coisas. Tudo o que a Lei fez foi prefigurar Jesus Cristo. Pois Nele está a perfeição. Veja, se eu estivesse de costas para o sol, eu projetaria uma sombra. Eu poderia olhar para aquela sombra e dizer muito bem com o que me pareço. Pois bem, a Lei apenas lançava uma sombra da vinda do Senhor Jesus.

Aqueles sacrifícios que eram oferecidos ano após ano, jamais fizeram chegar à perfeição. Jesus, no Evangelho de São Mateus, disse: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus”. Como você pode ser tão perfeito quanto Deus é perfeito? Agora, a Lei tendo uma sombra dos bens futuros, nunca pode aperfeiçoar o adorador. E por que não? Porque não havia nada além de uma sombra. No Velho Testamento, quando eles iam fazer um sacrifício, o homem trazia um cordeiro. Ele o trazia ao sacerdote, e ele confessava seus pecados, colocava as mãos sobre a cabeça do cordeiro, e dizia a Deus que sentia muito pelo que ele tinha feito. Observem, então o homem saía dali não aperfeiçoado (Hebreus 10:4). Ele saía dali com o mesmo desejo em seu coração de ir e fazer a mesma coisa errada que ele fez anteriormente. E por que ele tinha o mesmo desejo? Porque não foi aperfeiçoado, não houve um novo nascimento, uma regeneração, um batismo no Espírito Santo. Por que ele estava vivendo em uma sombra.

O que acontecia quando se oferecia sangue de animais pelos pecados? As células sangüíneas do cordeiro, que era uma sombra do Cordeiro de Deus, tinham sido rompidas. Porém, quando aquela célula sangüínea era rompida e rebentada, a vida que estava naquela célula sangüínea, daquele animal inocente, não poderia voltar no adorador. Por isto o sangue de animais apenas cobria o pecado. Mas isto era o que a sombra oferecia. Porém vindo a imagem perfeita daquilo em Cristo, o Cordeiro de Deus purificou o adorador de uma vez por todas.

Tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? (Hebreus 10:2)

Jesus Cristo, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados. Aperfeiçoados por quanto tempo? Para sempre. E quando você impõe suas mãos, pela fé, sobre o Sacrifício provido e aceito por Deus, que é absolutamente perfeito, o Sangue vertido volta em forma de Espírito Santo sobre o adorador. A vida do Sangue veio sobre Sua Noiva. Isto é a Pessoa, o próprio Espírito Santo, o Cristo ressurreto. Este Sangue agora dá vida a um corpo, a Igreja. E como entramos neste corpo? “Por um Espírito somos todos batizados, formando um corpo”. E em Romanos 8:1.

 Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Agora, a revelação de Deus ao Seu povo vai se desenrolando no decorrer das eras e tudo se encaixa no seu devido lugar, como um grande quebra-cabeça. Tudo que era vivido apenas como sombra no Velho Testamento, tornou-se perfeição através de Cristo. Portanto, ninguém pode simplesmente andar em um mandamento do Velho Testamento, sem o devido discernimento para a Igreja, a menos que seja um judeu. Os Evangelhos, as Epístolas e todo Novo Testamento, não estão trazendo a Lei, mas o que Ela representa. Observe isto, Moisés subiu ao Monte e recebeu a Lei de Deus e entregou ao povo. Ninguém duvida que Moisés era uma figura de Cristo. Ele era a sombra do Senhor. Então, quando esta sombra se tornou a imagem perfeita? Ora, quando Cristo subiu à montanha e disse: “assim disse Moisés; Eu, porém, vos digo”. E o que Ele fez então? Magnificou a Lei moral ao padrão da perfeição. Exemplo disso é a questão do adultério, o sétimo mandamento:

Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. (Mateus 5:27-28)

Leia o sermão da montanha e observe este paralelo. Toda Lei moral foi magnificada em Cristo, a perfeição, pois agora seria Ele cumprindo em nós pelo Espírito Santo. Aquela vida do Sangue que nos redimiu, voltaria no pentecostes, aleluia. É por causa disto que toda Lei de Moisés não pode aperfeiçoar o povo Hebreu, mas em Cristo foi elevada a um padrão de perfeição (Hebreus 9:9). Assim a Igreja é perfeita em Cristo. Não apenas mandamentos ou regras para vangloriarmos na própria carne, mas um estilo de vida, espiritual, Nele, em Cristo Jesus. Tudo agora é novo, uma regeneração, um novo nascimento, um batismo no Espírito Santo. Portanto, não fica difícil entendermos a questão do sábado, quando discernimos estas coisas. Quando enxergamos a Lei magnificada em Cristo. Paulo chegou a dizer: “o fim da Lei é Cristo”. No tocante a Lei cerimonial envolvendo as festas, os sacrifícios, as luas novas e os sábados; tudo isto apontava para uma Única Pessoa, o Senhor Jesus Cristo.

(Pequeno trecho do livreto: "Porque não Devemos Guardar o Sábado", por pastor João Gonçalves)