Trasladação

Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. (Hb. 11:5)

A palavra trasladação significa ser transferido de um lugar para um outro. Então Enoque, ainda em vida, foi transferido da terra para o Céu. Esta experiência será a mesma que ocorrerá com a Igreja, ela será arrebatada, trasladada, ou seja, transferida da terra para o Céu. Portanto, entendemos que Enoque foi, com certeza, uma figura daquilo que Cristo fará com Sua Igreja. Tudo que acontece com a Igreja no Novo Testamento, apareceu antes, em sombra, no Velho Testamento. No próprio livro de Gênesis, que significa princípio, todos os acontecimentos finais são misteriosamente desvendados. No tocante a Enoque existem alguns sinais bem interessantes.

Como por exemplo, assim que Enoque foi arrebatado, Deus julgou a terra com as águas do dilúvio, assim que a Igreja for arrebatada, Deus julgará este mundo com fogo do juízo (II Pe. 3:7).

Outro fato interessante é que Enoque é o sétimo depois de Adão, nós temos sete igrejas no apocalipse, que representam sete dispensações ou eras da Igreja, são sete eras depois de Cristo, o nosso último Adão. Brevemente Jesus Cristo voltará, pois estamos na era final de Laodicéia. Estudando detalhadamente a sétima carta a igreja em Laodicéia, percebemos a semelhança com a Igreja contemporânea. Esta trasladação de Enoque em comparação com a Igreja é tão maravilhosa que, segundo o Evangelho de Judas, o mesmo profetizou a vinda do Senhor Jesus:

Quanto a estes foi que também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, (Judas 14)

Esta referência de Judas não diz respeito a nenhum suposto livro de Enoque, mas ao que o Espírito Santo de Deus falou por intermédio do seu servo. Glória a Deus por isto, pois tudo que o Espírito Santo disse na Bíblia Sagrada, mesmo que seja transcrito para qualquer outro livro, aquilo nunca deixará de ser Palavra de Deus. Aleluia, o Espírito Santo, através de Judas, fez menção ao que Enoque viveu e profetizou a respeito de nós, Igreja, mais de três mil anos antes. Isto é glorioso!

Juntamente com Enoque temos outro caso de trasladação, que foi Elias, este foi subiu ao Céu num redemoinho. Então temos dois casos confirmados de arrebatamento, no Velho Testamento, Enoque e Elias. Estes dois profetas foram trasladados aos Céus em vida. Agora a trasladação implica em transformação do corpo, porque carne e sangue não podem herdar o reino de Deus. Um dia este nosso corpo mortal irá morrer, e os vermes o comeram. Então, como este corpo corruptível entraria em um Céu incorruptível? Imagine você no Céu envelhecendo e sentindo dores, isto não poderia. Portanto a trasladação implica em transformação do corpo. Esta questão precisa ficar bem entendida em nossa mente; aquilo que é corruptível não herdará a incorrupção, aquilo que é mortal não herdará a imortalidade (I Cor. 15:50). O nosso espírito é imortal, mas o nosso corpo é mortal. Portanto aquilo que é mortal, como é o caso do corpo, para entrar no reino dos Céus, precisa ser revestido da imortalidade, ou seja, o corpo corruptível precisa ser transformado em um corpo incorruptível; este é um único meio, previsto nas Escrituras, de um ser humano ser trasladado por Deus. Exatamente assim acontecerá conosco no arrebatamento da Igreja, tal como aconteceu com Enoque e Elias, caso contrário eles jamais entrariam nas mansões celestiais, com seus corpos mortais, como nós também não.

Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres...  Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual... Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. (1 Coríntios 15:40/44/50) 

Agora, para concluirmos um ponto bem importante, gostaria de fazer a seguinte pergunta: o que acontecerá conosco no arrebatamento da Igreja? A pergunta parece muito evidente, parece até que já foi respondida, mas quero chamar a sua atenção para um detalhe na resposta do apóstolo Paulo.

Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.  (1 Coríntios 15:51-52)

Bem, o apóstolo afirma que haverá uma transformação do corpo para quem estiver vivo, como ocorreu com Enoque e Elias. E também haverá uma ressurreição em um novo corpo para quem estiver morrido. Então concluímos com Paulo: “todos seremos transformados”. Percebe, a necessidade da transformação do corpo é vital para entrada no reino celestial. Portanto quem estiver morto será ressuscitado em um novo corpo, será transformado. Quero que você perceba com isto a semelhança da ressurreição do corpo com a trasladação, ou arrebatamento. Isto é muito importante identificar, o nosso corpo será transportado da terra para o Céu, passando por uma transformação. Por isto quando o Senhor Jesus fala em ressurreição da vida, ou quando o apóstolo João se refere à primeira ressurreição, ambos estão falando de um único evento, o arrebatamento da Igreja. E qual a grande importância em saber disto? A grande importância é que, quando passarmos pelo arrebatamento, ou primeira ressurreição, haverá apenas a segunda ressurreição, ou ressurreição do juízo. Quem não subir no arrebatamento, automaticamente enfrentará o julgamento do Trono Branco (Ap. 20:5/6).

Existe outro fato interessante no Velho Testamento. É a questão da morte de Moisés. A Bíblia diz que Deus o sepultou e ninguém até hoje sabe o lugar da sepultura (Dt. 34:6) E, na epistola de Judas, o texto nos diz que Miguel e Satanás disputavam a respeito do seu corpo. Então percebemos que nem mesmo os anjos tinham noção do que ocorrera com o corpo de Moisés. No episódio da transfiguração de Jesus, dois varões aparecem com Ele, Moiséis e Elias. Um deles nós sabemos, categoricamente, que foi trasladado, o outro um mistério envolveu a sua morte. A narrativa Bíblica em Lucas dezesseis, Jesus retrata uma parábola onde afirma que um morto não pode voltar. Elias a Bíblia mostra que foi arrebatado e Moisés o texto diz claramente que ele morreu. Porém, mesmo o texto afirmando que Moisés morreu, sua sepultura foi um mistério, nem os anjos sabiam o paradeiro do seu corpo, então eu creio que Moiséis seria o terceiro a ser trasladado no Velho Testamento. Esta seria a única explicação para o seu aparecimento no monte da transfiguração, tendo em vista que os mortos não voltam. Agora, devemos encarar o fato com bastante tranqüilidade tendo em vista que outras trasladações, certamente, aconteceram. Por exemplo, em Apocalipse encontramos vinte quatro anciões. Estes personagens não são seres angelicais, mas são pessoas, seres humanos que assistem diante de Deus. Eles podem representar, eu não estou dizendo que são, mas podem representar os doze patriarcas e os doze apóstolos. Mas representado ou sendo, o que importa é que são pessoas com corpos transformados que assistem na Sala do Trono de Deus (Ap. 4:4). Além disso, outro fato bastante curioso é a ressurreição de santos, do Velho Testamento, quando Jesus bradou na cruz.

Abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. (Mateus 27:52-53)

Houve uma ressurreição de santos do Velho Testamento, possivelmente Davi, Jacó, Abraão, estivesse entre estes irmãos. Eles ressuscitaram e andaram por Jerusalém até depois da ressurreição de Jesus. Ora, nós não podemos ter o pensamento infantil que estes irmãos, depois de ressuscitados, procuraram seus descendentes da 14ª geração e viveram felizes até morrerem novamente. Não, isto seria um absurdo completo. Mas eu acredito que tais irmãos, já em novos corpos, andaram por Jerusalém, testemunharam da fidelidade do Senhor, do cumprimento das profecias, da apostasia de Israel, do sacrifício do Justo e, dias depois, foram trasladados para as mansões celestiais. Foi aí que Ele levou cativo o cativeiro, ou seja, trouxe aqueles que morreram sob o sangue de animais, do seio de Abraão para o Paraíso de Deus (Ef. 4:8)...

Trecho do livreto: “TRASLADAÇÃO”

Pr. João Gonçalves